Proteções essenciais para os prematuros

January 21, 2019

 

Uma gestação normal dura, em média, entre 37 e 42 semanas. Entretanto, vários fatores podem anteceder o nascimento do bebê, como idade da mãe, hipertensão arterial, diabetes, infecção urinária durante a gravidez, má formação do feto e parto cesariana, classificando o pequeno como prematuro.

 

Quanto mais cedo o bebê nascer, menos os órgãos estarão totalmente desenvolvidos e ele fica menos tempo recebendo anticorpos da mãe que o protegeriam após o parto. Por isso, o seu sistema imunológico é bastante deficiente nos primeiros anos de vida, sendo necessários cuidados especiais.

 

Além das vacinas tradicionais, os pais devem recorrer a outras que não fazem parte da tabelinha e neste artigo você irá conferir todas as imunizações essenciais para que esses pequenos possam se desenvolver bem:

 

Palivizumabe: esta não é uma vacina, mas uma imunoglobulina, ou seja, um tipo de anticorpo "pronto" que previne contra as formas graves de infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR), em bebês de alto risco.  Esta substância é indicada para os bebês recém-nascidos, ou seja, com menos de 29 semanas de idade gestacional no primeiro ano de vida; para aqueles nascidos entre 29 e 32 semanas, até o sexto mês; e para portadores de doenças cardíacas e pulmonares nos dois primeiros anos de vida. Neste caso, são aplicadas doses mensais de 15 mg/kg de peso, durante o período de maior circulação do vírus (depende da região do país).

 

Haemophilus influenzae tipo b: previne contra doenças causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b, principalmente meningite. É indicada para crianças a partir de 2 meses até 5 anos de idade e para crianças com mais de 5 anos, adolescentes e adultos com condições médicas que aumentam o risco para doenças por Hib: ausência de baço ou disfunção nesse órgão; antes e/ou após transplante de órgão ou medula óssea; após quimioterapia; entre outras. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda e disponibiliza a vacina em três doses: aos 2, 4 e 6 meses de idade. Já as Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam uma quarta dose entre 12 e 18 meses, em especial para crianças vacinadas com a vacina DTPa. Crianças com mais de 5 anos, adolescentes e adultos não vacinados e com doenças que aumentem o risco da doença devem tomar duas doses com intervalo de dois meses.

 

BCG: previne contra a Tuberculose, principalmente as formas graves, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar (espalhada pelo corpo). A vacina é indicada de rotina a partir do nascimento até os 5 anos de idade. É importante lembrar que pessoas de qualquer idade que convivem com portadores de hanseníase (lepra) e estrangeiros ainda não vacinados e que estejam de mudança para o Brasil também devem tomar a vacina.

 

Hepatite B: previne contra a infecção do fígado (hepatite) causada pelo vírus da hepatite B. Trata-se de vacina inativada e é indicada para pessoas de todas as faixas etárias. Faz parte da rotina de vacinação das crianças, devendo ser aplicada, de preferência, nas primeiras 12 ou 24 horas após o nascimento, para prevenir hepatite crônica – forma que acomete 90% dos bebês contaminados ao nascer. Essa vacina também é indicada especialmente para gestantes não vacinadas. O esquema de dosagem da vacina contra a Hepatite B possui algumas considerações:

 

  • Para a vacinação rotineira de crianças, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) adotou o esquema de quatro doses, sendo a primeira no nascimento, a segunda, ao completar 2 meses, a terceira, ao completar 4 meses, e a última, ao completar 6 meses. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam os esquemas de quatro doses (adotado pelo PNI) ou de três doses: ao nascimento e aos 2 e 6 meses de vida.

  • Para crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados no primeiro ano de vida, o PNI, a SBP e a SBIm recomendam três doses com intervalo de um mês entre primeira e a segunda e de cinco meses da segunda para a terceira.

  • Prematuros vacinados ao nascer necessitam, obrigatoriamente, de quatro doses.

  • Para crianças a partir de 12 meses de idade, adolescentes e adultos, as clínicas privadas de vacinação dispõem ainda da vacina que combina hepatite A e hepatite B em uma única injeção. Em menores de 16 anos o ideal é que sejam aplicadas duas doses com intervalo de seis meses. Nas maiores, o esquema é de três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda e de cinco meses da segunda para a terceira.

  • Pessoas com comprometimento do sistema imunológico necessitam de dose dobrada em quatro aplicações (esquema 0-1-2-6 meses), para melhorar a resposta ao estímulo produzido pela vacina. Devem realizar exames periódicos para acompanhar os níveis de anticorpos e, sempre que a quantidade diminuir, receber um reforço com dose dobrada.

 

Rotavírus: a vacinação rotavírus previne contra a doença diarreica causada por rotavírus. É indicada para bebês de 6 semanas a 8 meses e 0 dia. A primeira dose deve ser obrigatoriamente aplicada até a idade de 3 meses e 15 dias, e a última dose até os 7 meses e 29 dias.

 

Vacina Tríplice Bacteriana Acelular Infantil - DTPa: previne contra Difteria, tétano e coqueluche.  A vacina é indicada para crianças com menos de 7 anos de idade. É importante lembrar que, mesmo as que já tiveram tétano, difteria, doença causada pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e/ou coqueluche devem ser imunizadas, uma vez que estas doenças não conferem proteção permanente frente a novas infecções. Para a vacinação rotineira de crianças, ou seja, as que possuem 2, 4 e 6 meses de idade e, também, as que possuem entre 12 e 18 meses, é recomendada a aplicação da vacina quíntupla (penta) ou sêxtupla, nas quais a DTPa é combinada a outras vacinas. Para a dose de reforço entre 4 e 5 anos de idade, a DTPa pode ser substituída por dTpa ou dTpa-VIP.

 

Vacina Tríplice Bacteriana de Células Inteiras - DTPw: previne contra Difteria, tétano e coqueluche. A vacina é indicada para todas as crianças até 7 anos de idade, mesmo as que já tiveram tétano, difteria e coqueluche, uma vez que estas doenças não conferem proteção permanente. É importante lembrar que a vacina é usada na rede pública como dose de reforço para crianças com idade entre 4 e 5 anos.O recomendado é tomar esta vacina aos 2, 4 e 6 meses de idade, na apresentação combinada com as vacinas Hib e hepatite B.

 

Vacinas Pneumocócicas Conjugadas: A vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) previne cerca de 70% das doenças graves (pneumonia, meningite, otite) em crianças, causadas por dez sorotipos de pneumococos. Já a vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) previne cerca de 90% das doenças graves (pneumonia, meningite, otite) em crianças, causadas por 13 sorotipos de pneumococos. Para crianças a partir de 2 meses e menores de 6 anos de idade é recomendada a vacinação rotineira com VPC10 ou VPC13. Já para crianças com mais de 6 anos, adolescentes e adultos portadores de certas doenças crônicas, recomenda-se esquema com as vacinas VPC13 e VPP23. Para pessoas maiores de 50 anos e, sobretudo, para maiores de 60, recomenda-se esquema com as vacinas VPC13 e VPP23. Confira o esquema de doses de cada tipo da vacina:

 

VPC10 ou VPC13

 

  • O Programa Nacional de Vacinação passou a adotar, em 2016, na rotina de vacinação infantil, duas doses com intervalo mínimo de 2 meses no primeiro ano de vida e uma dose de reforço aos 12 meses de idade.

  • As sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam a vacinação infantil de rotina com quatro doses: aos 2, 4 e 6 meses de vida e reforço entre 12 e 15 meses.

  • Para crianças entre 1 e 2 anos e não vacinadas é recomendada a aplicação de duas doses com intervalo de dois meses.

  • Para crianças entre 2 e 5 anos de idade e não vacinadas é recomendada a aplicação de uma dose.

  • Para crianças entre 2 e 5 anos e portadoras de doenças crônicas que justifiquem, pode ser necessário complementar a vacinação com a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23).

 

Vale lembrar que crianças que começam a vacinação com atraso, após os 6 meses de vida, precisam que seus esquemas sejam adaptados de acordo com a idade de início. A SBP e a SBIm recomendam que se a criança foi vacinada com a VPC10, se beneficia da proteção de uma dose adicional da VPC13, administrada dois meses após a última VPC10.

 

VPC13

 

  • Para crianças a partir de 6 anos, adolescentes e adultos com doenças crônicas que justifiquem a vacinação e ainda não vacinados é recomendada uma dose única. Em algumas situações, duas doses com intervalo de dois meses podem estar indicadas. Nesses casos, pode ser necessário complementar a vacinação com a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23).

  • Para maiores de 50 anos deve ser aplicada uma dose única.

  • Para os maiores de 60 anos, recomenda-se complementar a vacinação com a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23).

 

Crianças menores de 6 anos que completaram o esquema de vacinação nas Unidades Básicas de Saúde com a vacina PCV10 têm benefícios se tomarem mais uma dose da VPC13, o que aumenta a proteção contra a doença pneumocócica.

 

Vacinas Poliomielite: essa vacina previne contra a Poliomielite (paralisia infantil). Devido à erradicação da poliomielite em diversas regiões do mundo e, também, para evitar a paralisia que pode ser causada pelo vírus contido na vacina oral (VOP), a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que países como o Brasil - de baixo risco para o desenvolvimento da doença - passem a utilizar a vacina inativada (VIP), sempre que possível. Desde 2016, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) adota a vacina VIP nas três primeiras doses do primeiro ano de vida - aos 2 meses, 4 meses e 6 meses de idade -  e a VOP no reforço e campanhas anuais de vacinação. Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) orienta que a VIP seja a vacina de preferência na administração de todas as doses. A vacina poliomielite é indicada de rotina para todas as crianças menores de 5 anos e, também, para viajantes adolescentes e adultos com destino ao Paquistão e ao Afeganistão, onde a poliomielite ainda existe, ou onde há risco para transmissão (principalmente alguns países da África).

 

Fontes:

 

  1. Família Sbim. Consultado em 10 de Janeiro de 2019. Disponível em https://familia.sbim.org.br/seu-calendario/prematuro

  2. Minha Vida. Consultado em 10 de Janeiro de 2019. Disponível em https://www.minhavida.com.br/familia/galerias/14034-bebes-prematuros-pedem-cuidados-especiais

 

 

 

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